um breve ensaio sobre o brejo.

 Tomo como tom primordial, a relação entre cultura e patrimônio local, buscando problematizar ao longo desse breve texto, os fatos e características relativos ao início da formação da cidade, relacionando essas características com a prática que se tornou comum, de  desvalorizar a área brejeira. A cidade chega no início do século XX com uma visível mudança quanto a importância que é destinada  aos recursos naturais já escassos. Os processos que ocorreram nesse período estão articulados no desenvolvimento da área urbana.
A partir do fruto do buriti se faz o doce e outras iguarias bem populares, e da palha do pé de buriti fazia-se paneiros  e cordas. Mas a importância dessa planta para a sociedade local ultrapassa estes aspectos, contribuía para o equilíbrio natural da vegetação aqui encontrada e também impulsionava a economia em momentos de atividades menos rentáveis. Porém, estava direcionada à uma econômia tipicamente familiar de subsistência.
É essa visão geral, da relação existente entre cidade e meio ambiente, um dos  motivos que me levaram a pesquisar sobre o tema, e o outro dentre eles está o simples fato de pertencer ao local e perceber uma beleza já esquecida pela maioria da sociedade. No intuíto de mostrar as várias possibilidades que se têm a partir da interação entre sociedade e meio ambiente, e tentar evidenciar as várias manifestações sociais que advêm da relação entre homem e natureza num recorte de tempo e espaço que vai de 1980 até os dias atuais. Compreendendo a região brejeira de Buriti dos Lopes do ponto de vista de como se constitui o imaginário sobre as atitudes passivas e ativas em relação a esse meio sócio-ambiental.
E é partindo de um ponto de vista próprio que falo em cidade sendo este ponto comum para ter um bom embasamento, pois falar em cidade é algo complexo por si mesmo, falar então de identidade localizada dentro do tema cidade é mais complicado e deve ser feito de maneira minuciosa. Para evitar erros como no caso de possíveis anacronismos normais que historiadores iniciantes cometem, são erros embora não esperados, que se constituem como traços históricos em si mesmos.
A melhor maneira de começar, é buscar a noção que ainda se tem sobre pertencimento local, mas como isso chega a fazer sentido? Buscando as respostas no aspecto cultural que envolve todos nessa mesma localidade. Isso funciona como uma espécie de identidade social que leva em consideração o envolvimento que cada indivíduo desempemha no espaço do brejo.
Com isso, temos a criação de uma noção de identidade coletiva, que é a representação da união de aspectos que servem também como dispositivo social de identificação perante outros locais de memória. No entanto, a pesquisa  procura traçar relações entre a sociedade buritiense e a natureza que existia no espaço do brejo antes da interferência humana, onde os pés de buriti eram predominantes. 
Levando em conta também, outros fatores, gerando uma noção de identidade local que mostre a maneira como os citadinos percebem sua própria cidade e também, buscar eleger táticas de preservação a serem aplicadas no local pesquisado na tentativa de desacelerar o desmatamento que ali se abateu.
Isso requer um esforço em conjunto, em busca de um método que, ligado diretamente às práticas preservasionistas em âmbito local e regional, desperte na sociedade um sinal de alerta, fazendo com que as pessoas deixem aos poucos de desmatar irracionalmente áreas de mata nativa, prezando pela  manutenção de uma boa qualidade do seu ecossistema mais próximo,onde no caso é ou era a região brejeira, bem como a parte pertencente à logoa grande de Buriti dos Lopes, local que também também sofre com a questão de estar sob a tutela de pequenos grupos familiares que mandam e desmandam nessas que deveriam ser  áreas de preservação, como se um dia não lhes fosse causar nenhum retorno, em esfera bio-climática.
Esta destruição ambiental veio a ser mais frequente com a facilidade provocada pelo uso das tecnologias, associadas ao avanço das cidades para as áreas que deveriam servir como reserva natural, envolvendo os animais que também foram alvo das práticas extrativistas, dizimados pela caça em regime predátorio, e que tiveram seu ecossistema abalado com o advento da morte do riacho que passava pelo brejo, onde teve uma aceleração na ação de destruição do mesmo, acentuando o clima de sequidão existente no região do brejo.
Vendo que a população local consiste em sua maioria de pessoas ligadas à práticas rurais, e tendem a usar o campo para beneficio próprio visando a manutenção familiar, mesmo assim podemos perceber na fala de algumas pessoas uma ligeira preocupação quanto ao que o futuro reserva para o brejo e seu entorno. Haja vista que o perfil da população  vem sofrendo significativas alterações, uma vez que a modernização acompanha o homem conforme passam-se os anos nessa região mais especificamente.
O objetivo deste texto é relacionar os efeitos das atitudes devastadoras do homem com a necessidade de ampliação de fronteiras ou zonas habitáveis que não levaram em conta os prejuízos causados a natureza. Este estudo busca conhecer, principalmente, as relações sociais estabelecidas historicamente em ambito local. Isso será trabalhado em três capítulos que buscam passar à comunidade um sinal de alerta indicando que não somente o brejo está em processo de desaparecimento, mas toda a área que não tem um acompanhamento especial relativo à preservação.

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